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Sensatez

É interessante notar que os debates em torno de Jesus sempre tratam de sua divindade ou de sua humanidade, como se fosse certo que existiu um homem chamado Jesus que fundou o Cristianismo. No entanto a verdade é que até hoje ninguém jamais encontrou uma prova sequer da existência de tal pessoa. Isso quem diz não são cientistas incrédulos, mas os próprios estudiosos cristãos afirmam isso. Dizem que a única “prova” da existência de Jesus são os Evangelhos, mas ignoram – ou fingem que não sabem – quem nenhum dos Evangelhos canônicos foi escrito por testemunhas oculares dos fatos, ou seja, tais relatos não têm nenhum valor histórico.

Diante da falta de evidências, muitos cristãos, em sua ingenuidade, alegam que a ciência também nunca provou que Jesus não existiu.  Não sabem que quem afirma é que tem o dever de provar, e não quem nega. Na ausência de provas, o mais sensato e racional é aceitar que tal coisa nunca existiu. Digamos, por exemplo, que alguém me acusa de ter roubado algo dela. Eu não preciso provar que não roubei, ela é quem tem que provar que sim, porque é ela quem está afirmando, e quem afirma que tem que provar. Mas se, no entanto ela alegar que está faltando a coisa em questão, aí sim eu deverei rebater, mesmo que esse argumento seja muito fraco. Eu poderia dizer que só porque ela não encontrou algo, não quer dizer que alguém o roubou, ela pode simplesmente tê-lo perdido. Mas se mesmo assim ela insistir e disser que me viu roubar seu objeto – que parece ser um argumento bem mais satisfatório – eu poderei dizer simplesmente que somente o testemunho da vítima não é válido, que seria preciso mais pessoas. Pronto. Eu não precisei provar que sou inocente, mas simplesmente refutar as “provas” de quem me acusa. Outro exemplo é o do filme Matrix. Se estivéssemos todos dentro de uma Matrix, não poderíamos saber que estamos. Ninguém poderia provar que não estamos, mas também ninguém poderia provar que sim. Desta forma, quem tem que provar é quem afirma que estamos. Na ausência de provas, ou com provas inconsistentes, a razão escolhe que não estamos numa Matrix. Assim sendo, a ciência não precisa provar que Jesus não existiu, mas somente refutar o que lhes apresentam como prova. Na ausência de prova, opta-se pela passividade.